terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O natal e a intolerância religiosa




É natal e todas as famílias comemoram juntas essa festividade. Nem sempre. Apesar de o natal estar ligado a uma festividade cristã, ele existe há mais de sete mil anos quando povos antigos celebravam Mitra, a Saturnália e o Yule. Resumidamente, o Solstício de Inverno (no hemisfério norte) quando se entrava na escuridão para se renascer na primavera. A partir do Solstício de Inverno os dias se tornavam cada vez mais longos e essa luz a mais no dia deles que era celebrada.

Mitra era celebrado justamente dia 25 de dezembro. A igreja para trazer mais seguidores para si acabou usando essa data para o nascimento de Jesus, já que a bíblia fala do nascimento, mas não cita datas.

Uma festa pagã, virou cristã e comércio. Seria a hora perfeita de muitas famílias se reunirem, aproveitarem a celebração para estar juntas. Muitas delas o fazem, porém muitas não. Muita gente simplesmente usa o feriado para viajar, o que é compreensível, pois, há famílias só de judeus, só de budistas ou que misturam budistas, com judeus, com israelitas, com wiccanos, etc. . Contudo, se uma família possui cristãos e outras crenças, por que não estar juntos? Muitas vezes a intolerância religiosa é a chave para a falta de paz até mesmo entre membros de uma mesma família. Papai Noel pode ter ficado com a festa de Jesus, mas, Jesus também ficou com a festa de Mitra e de todos os pagãos que foram obrigados a se cristianizar ou eram queimados na fogueira como bruxos.

Então, natal deveria ser apenas um feriado de união já que possui tanta história e coisas diferentes.

O que jamais deveria haver é a imposição de uma crença como se estivéssemos ainda no tempo dos jesuítas. Se a religião é mesmo boa e ensina a amar, então deve ensinar também a respeitar e a deixar livres outras crenças mais antigas. Caso contrário, o nome seria hipocrisia. Lembrando que o Estado é laico e isso deve ser seguido, deve haver liberdade religiosa sem imposição e nem preconceito. O Uruguai dá esse exemplo levando a sério o Estado laico, não tendo qualquer feriado religioso como dias de padroeiros, por exemplo. Lá, em 1917 o Estado se separou por completo da Igreja. Existe a liberdade de crer ou não crer e no que se crer e no que não se crer. Um direito de qualquer ser humano para que ninguém tenha nada  contra a crença ( ou a falta dela) de ninguém.